terça-feira, 27 de maio de 2008

Lourenço Marques (1)

Depois da borrasca,vêm a bonança,e foi com bom tempo,e logo pela manhã do dia 14 de Novembro de 1969 que avistamos a costa de Moçambique.
O Oficial navegador,fazia o plano de navegação de forma a entrar-mos num porto sempre ao amanhecer,nem que fosse necessário,e aconteceu tanta vez reduzir a velocidade do navio.
Ao entrar-mos na Baía do Espírito Santo,deparou-se algo inédito,a Baía estava pejada de Alforreca.
Finalmente avistamos o Cais Comercial,em Moçambique não existia Base Naval,pelo que sempre que atracávamos era em cais comercial.
Atracámos no cais do Gorjão,junto ao cais de embarque para o Catembe que se situava em oposto a Lourenço Marques e dividindo a baía entre ambas as cidades,a Baía do Espírito Santo,anteriormente denominada de Lagoa Bay e Baia de Lourenço Marques,depois Espírito Santo banhava ambas as cidades e presenteava-as com belíssimas praias.
O cais do Gorjão onde estávamos atracados,distanciava da baixa da cidade pouco mais de 200 metros,estávamos então no coração da cidade.
Depois dos cumprimentos formais por parte do nosso comando,e após o almoço,partimos para a cidade com o intuito de a descobrir.
Dois enormes cafés o Scala e o Continental,despertaram a nossa curiosidade,visitamos ambos.
Os habitantes de Lourenço Marques,deduziram logo que não tínhamos chegado da Metrópole(Portugal)porque já tínhamos a cara e os braços tisnados pelo Sol Africano.
Perguntavam de onde vínhamos e respondendo Angola,diziam-nos que Moçambique,nada tinha a ver com Angola,era melhor em tudo até no clima,tínhamos então tempo e ocasião para nos certificar-mos se efectivamente era verdade.
Descobrimos então a Rua Araújo (chamada na gíria rua do crime)a rua na quase sua totalidade eram bares e boites,preparamo-nos logo para passar lá a noite.
A rua Araújo ou rua do Crime,tinha sido no século XIX a rua dos Mercadores,nessa época foram instalado escritórios e poderosas empresas de exportação.
Quando da descoberta das minas de ouro no Rand (África do Sul) e coincidindo com a construção do caminho de ferro para o Transval,
a rua Araújo foi invadida,por Sírios,Libaneses,Italianos,Gregos e Ingleses,que trouxeram então do porto de Natal e de Pretoria,dançarinas,cançonetistas e prostitutas.
Como todos tínhamos levado uma nega na África do Sul ( até os mais mentirosos de bordo acabaram por revelar que também para eles foi chita )desejávamos que as horas passassem rápido,porque tínhamos de escolher (e foi difícil de escolher eram todas boas ) e ser saciados por umas belas Moçambicanas.

Sem comentários: