terça-feira, 17 de junho de 2008

Destituição de Comando

Prestes a largar de Porto Amélia com destinio a norte,recebemos uma visita a bordo, que nos acompanharia durante alguns dias.
Tratava-se de um 2.º Tenente,enviado pelo Comando Operacional de Cabo Delgado.
A vinda deste Oficial para bordo,seria para em conjunto com a Unidade de Desembarque,localizar um ponto de desembarque num rio,que mais tarde,numa noite bastante escura,iriamos desembarcar um Destacamento de Fuzileiros.
Foram reunidas á ordem do Oficial visitante,duas guarnições para botes.
Ai começaram os erros,primeiramente o Oficial que julgavamos Fuzileiro (mas não era) opôs-se a que transportassemos granadas,de armamento só espingarda e um carregador de munições.
O nosso Oficial Imediato,opôs-se a que vestissemos camuflado,e ordena que o fardamento era o de trabalho e de panamá na cabeça,abriu uma excepção,podiamos ir de sandálias,não era necessário sapatos nem meias até ao joelho,os Oficiais ( o visitante e o Comandante da U.D ) igualmente equipados de boné branco e galões nos ombros.
Quem podia mandava,quem não mandava obedecia.
Tivemos foi muita sorte,se os turras nos têm detectado,era como atirar aos bonecos de feira,bastava apontar aos pontos brancos,que acertavam sempre na cabeça.
Lá nos aproximamos de terra,os Oficiais ,olhavam a bússola,faziam medições para o Sol,Terra e Horizonte,e a foz do rio não aparecia.
Tinhamos que procurar a partir de terra,como a maré estava alta,a própria vegetação escondia a foz do rio.
Mais um problema,o Oficial visitante opôs-se,nem pensar,terra só com um carregador e um total de 12 homens,se formos atacados como respondemos, esqueceu-se que as responsablidades eram dele.
O Oficial Comandante da U.D,também 2.º Tenente,ficou pasmado,então, e a missão de que fomos incumbidos,não se podia suspender uma missão senão em caso de força maior.
Resolveu e muito bem em tomar o Comando,dizendo o Comandante aqui sou eu,se for necessário ir a terra vamos,se formos atacados respondemos tiro a tiro, a fragata mandará uns
balázios de artilharia,e desembarcará a restante U.D,que nos trarão munições.
De seguido deu ordem ao segundo bote,para abandonar a posição lateral,e se colocar na esteira do bote de comando,manter uma distância razoável,e seguir o bote de comando para onde quer que ele fosse,e mandou todo o pessoal colocar bala na câmara,com arma em patilha de segurança.
Tínhamos Comandante,e da forma como pôs a situação,nós seguiamo-lo nem que fosse atravessar África de bote ou a pé.
Já quase a meter os pés na água,eis que apareceu o dito rio,a entrada estava dissimulada pela vegetação,subimos o rio, e em local pré determinado pelos Oficiais,foi dada ordem de paragem,e redesenhado um mapa,mantendo o restante pessoal muita atenção e olho bem aberto,de seguida regresso ao ponto de partida.
Alguns dias depois,lá deixamos os nossos camaradas Fuzileiros,e por azar deles a maré estava alta,tiveram de pernoitar aquela noite em cima das árvores,só quase na vazante do rio puderam seguir para o seu objectivo.

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