domingo, 1 de junho de 2008

Lourenço Marques (3)

Os dias iam passando e o navio acostado ao cais,parecia-nos que nos esqueceram,ou então o Comando Naval de Moçambique,prolongava-nos as mini férias com o intuito de nos enviar directamente para o norte,em principio, e do pouco que sabíamos, era o que o nosso destino seguinte era a cidade da Beira,mas poderia haver alterações.
Aqueles dias deram-nos para perceber,que os residentes de Lourenço Marques,sabendo e vendo milhares de militares estacionados na cidade, e tendo eles próprios alguma da sua juventude a combater ao norte,mesmo assim alheavam-se dos acontecimentos a norte da província.
Após as suas jornadas diárias,pretendiam era divertir-se,ir a um bar,ouvir musica e ver dança moçambicana,principalmente a marrabenta,musica e dança moçambicana que á muito tinha atravessado as fronteiras.Naquela cidade parecia-nos que não se dormia,havia sempre gente nas ruas,e no final de semana, então os estabelecimentos comerciais e colectividades estavam a abarrotar.
Quando se lhe tocava no assunto do norte da província,respondiam que a guerra era para os generais,eles eram civis,nada tinham com o assunto,e que cabia ao governo Português,enviar os militares da metrópole,porque também era para a metrópole que ia o dinheiro dos recursos naturais de Moçambique.
Eles só pretendiam viver na paz de Lourenço Marques,trabalhar,conviver com os amigos em volta de uma boa mariscada,politica e guerra era com o governo de Lisboa.
Efectivamente Portugal, enviou os seus militares também para Moçambique,mas alguns desses militares sem o saberem, iriam conhecer Moçambique apenas para a transição da vida para a morte.

Sem comentários: