domingo, 22 de junho de 2008

Militares Transportados

No norte de Moçambique,fazíamos base em Porto Amélia,e era dessa cidade que iniciávamos sempre as missões que nos estavam confiadas.
Dai partíamos com os militares que se deslocavam para o norte,excepto os paraquedistas que íamos buscar a sul a Nacala.
Transportamos pelotões(julgo que seja este o termo exacto) de militares do Exercito,pelotões de Morteiros,Destacamentos de Fuzileiros (algumas vezes desembarcados por nós na costa ) e os paraquedistas que nos brindavam quase sempre com cabras a bordo,
Entre os Militares transportados os Fuzileiros estavam em casa,os Paraquedistas,esses então enturmavam-se connosco e já faziam da fragata o seu segundo aquartelamento, o Exercito, resumiam-se a olhar o mar,fumar e manterem-se pelos locais destinados,fazendo toda a viagem com total ausência de espírito,e como se fossemos nós os culpados de se dirigirem para zonas de combate.
Um dia apareceu-nos a bordo um grupo de militares,de quem já tínhamos ouvido falar em Angola,mas com quem nunca tínhamos contactado,tratava-se de um grupo de GE,totalmente fardados de negro,constatando com a cor da sua pele,entre eles três ou quatro militares metropolitanos quase todos Furriéis.
Em conversa com os seus superiores,foi-nos relatado,que aqueles militares se movimentavam na mata,com um á vontade sem igual,eram militaristas e aguerridos,eram o terror dos guerrilheiros da Frelimo,por nunca fazerem prisioneiros.
Ficou-nos sempre a dúvida,se seria verdade ou estavam a enaltecer o seu grupo de combate.
Ao longo de anos,têm-se escrito muitas verdades e muitas mentiras,sobre a guerra colonial,criando-se até mitos sobre certas personalidades a nivel individual,ou grupos de militares combatentes.
Nós temos conhecimento de um caso concreto,soubemos,que o nosso camarada e amigo "Maia" do D.F.E. n.º 5 http://dfe5-moz1969-71.blogspot.com/ foi agraciado com uma Cruz de Guerra por feitos em combate.
Durante todos estes anos e encontrando diversas vezes o "Maia"(chegámos a trabalhar juntos )
nunca lhe perguntei nada sobre a sua Cruz de Guerra,porque não sabia se a sua memória, guarda boas ou más recordações da Guerra Colonial.

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