quarta-feira, 11 de junho de 2008

O Naufrago

Como já foi explicado em postes anteriores,os mesmos não têm uma ordem cronológica,as datas já á muito que se perderam no tempo,mas as histórias aqui postadas foram passadas nos sítios sempre indicados.
Hoje uma história por nós vivida,que por sinal acaba com um final feliz,com uma possivél interrogação,mas sem uma resposta.
Numa das nossas deslocações em patrulha a Palma,e á foz do rio Rovuma,que fazia fronteira com a Tanzânia,um dos vigias na ponte deu o alarme sobre algo que lhe pareceu muito estranho.
Comunicou imediatamente ao oficial de quarto á ponte de comando,ambos vasculharam a zona apontada pelo vigia,e viam um pau rodopiar,depois baixar e levantar,continuaram a ver a zona,até que por fim,uma pequena vaga põe a descoberto uma cabeça,um naufrago não havia duvida,se o pau rodopiava estava vivo,o navio rumou imediatamente para o local,aumentando a sua velocidade,foram alertados os meios na ré, para a recolha de um naufrago, não foi necessário usar os botes,bastou uma boia e uma retenida.
Assim que estava a bordo,descobrimos que o pau que rodopiava para nos chamar a atenção,não passava de uma bengala,fiel companheira,do velho pescador e que ajudava na sua locomoção,porque era deficiente.
Transportado logo á enfermaria,só lhe foi diagonosticado muito cansaço,foi-lhe colocado soro, e mais tarde alimentado com comidas leves..
Contou-nos depois que o seu barco naufragara,quando pescava para a família,e que fora arrastado pela corrente marítima para o largo,perdeu toda a sua riqueza , só salvou dos seus pertences a bengala,da sua terra falava de Palma e mais além,seria um aldeamento,talvez a muitos quilómetros de palma,numa zona costeira,mas sem sabermos se a norte ou a sul de Palma.
Desembarcado em Palma,na embarcação da Capitania,dizia-nos adeus tanto com a mão como com a sua inseparavél companheira.
Naquele dia sentimos orgulho,o orgulho de servir a Marinha,e o orgulho de salvarmos uma vida.
Seguimos a nossa patrulha,e pensávamos será que o velho já chegou á sua tabanca,como terá sido recebido pelos familiares e amigos.
Também podemos pensar,e supor, que o velho mais tarde, ao contar a sua história,tenha dito que a Marinha de Guerra Portuguesa,quando o salvou de uma morte certa,não lhe perguntou se era apoiante da Frelimo,ou da soberania Portuguesa,também não lhe perguntou, se era Cristão ou Muçulmano.

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