quinta-feira, 31 de julho de 2008

30 de Março de 1970 em Lourenço Marques

Nessa manhã,depois da volta de serviços ( final de serviços ) alguns elementos da guarnição encontravam-se no cais,vendo o movimento das pessoas que embarcavam para o Catembe.
Para ensombrar aquele dia,inesperadamente,uma explosão,numa das caldeiras, abalou o navio,uma enorme chama saiu pela chaminé,enquanto as pessoas fugiam pelo cais,nós corríamos para bordo,os que estavam no interior do navio,corriam para o convés.
O Oficial e o Sargento de serviço,contiveram o pessoal,até se saber o que se passava.
Não foi necessário a intervenção do pessoal da Limitação de Avarias,porque o pessoal fogueiro,controlou a situação e os danos materiais.
Inesperadamente surguiram no convés os danos humanos,três camaradas nossos ,Sargento Amâncio,Marinheiro Durand,e Marinheiro Fernando Costa,com graves queimaduras pelo corpo.
Não conseguimos conter a bordo o Fernando Costa,correu pelo cais,a caminho da baixa da cidade,pedindo socorro.
Pelo caminho foi deixando cair pedaços de pele.
Chegaram os Bombeiros de Lourenço Marques,chamados por alguém que estava no cais,não foi preciso a sua intervenção,apenas pretendíamos o transporte dos nossos camaradas para o hospital,urgentemente.
Nessa tarde,fomos ao hospital saber o estado de saúde deles.
Não foi autorizado que os víssemos,voltamos todos para bordo.
Na manhã seguinte,01 de Abril de 1970,pelo ETO,o segundo Oficial de máquinas,e chefe directo do pessoal fogueiro,com a voz embargada pela comoção,comunicou-nos o falecimento do Fernando Costa,no silêncio que se seguiu,vi lágrimas correrem pelo rosto de alguns velhos marinheiros.
Em pouco mais de três meses,era o segundo elemento da guarnição do NRP ÁLVARES CABRAL F336,a falecer vitima de acidente.
Um na Beira,outro em Lourenço Marques
A família do Fernando Costa,requereu a expensas suas,a transladação do corpo para Portugal.
Após a libertação do corpo pelo hospital,foi efectuado o seu transporte para a capela do cemitério,o silêncio dos que o acompanharam,apenas foi quebrado pelas ordens, para as salvas de tiros,e para as honras militares a que tinha direito.
Dos camaradas,Sargento Amâncio e Marinheiro Durand,soubemos que iam ser evacuados para o Hospital da Marinha em Lisboa.
O Sargento Amâncio,sabemos que faleceu á poucos anos.
Do marinheiro Durand,continuamos sem qualquer informação.

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