quinta-feira, 17 de julho de 2008

Falta de Gravidade ou Empurrão

Fizeram-nos fazer crer,durante o nosso tempo militar,que aos Oficiais na Escola Naval,lhes era incutido o militarismo e a desumanidade com os militares de baixo posto,principalmente os praças.
Tenho uma opinião contrária,encontrei ao longo da minha vida militar,Oficiais bem humanos,mas militares quando a situação o exigia.
Hoje vou contar uma situação a bordo a que nós na altura achamos graça,porque não esperávamos,que um Oficial tão aprumado,caísse na mesma tentação em que nós caímos tanta vez,não saber qual deveria ser o último copo.
Por baixo dos galões,estava um humano,igual a nós.
Uma madrugada no porto da Beira,chegou um táxi á prancha do navio,dele se apeou um Oficial de bordo,respondeu ao cumprimento do sentinela,e mete um pé á prancha.
Mas,á sempre um mas,a maré estava baixa,a prancha estava no sentido descendente para o navio,e com grande inclinação.
E no final da prancha no convés estava o Cabo de quarto,para apresentar os cumprimentos da praxe ao respectivo Oficial.
O Oficial,mete o segundo pé á prancha,resultado, como não estava guarnecido com asas,estatelou-se no convés dando uma aparatosa queda.
Levantou-se ágilmente,sacudiu o pó (não precisa de o fazer,pois o navio estava sempre limpo)
Exigiu imediatamente ao Cabo de quarto,a presença do Oficial de serviço,acusando o sentinela de o ter empurrado para bordo.
Difícil,foi-lhe fazer crer que essa situação não tinha existido.
O Cabo de quarto foi-lhe dizendo que devido ao adiantado da hora,o Oficial de serviço estava a descansar,e que não via necessidade de o incomodar,e que após a alvorada o respectivo Oficial,poderia seguir os trâmites de uma,ou não participação do caso
O Oficial,reconheceu que não era a hora apropriada,despediu-se do pessoal de serviço e foi-se deitar,a noite foi boa conselheira.
E pela manhã nada aconteceu,deixando o sentinela descansado,e o respectivo Oficial apareceu como nada se tivesse passado.
Só que nas cobertas,comentava-se o caso,em titulo de brincadeira,e alguém propôs,que o nosso comando,sempre que maré estivesse baixa,deveria exigir á Força Aérea,que disponibiliza-se um héli,para colocar a bordo o pessoal que regressava de licença,em verdadeiras condições de segurança,e integridade física

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