terça-feira, 15 de julho de 2008

Fragata ou Colóna Penal

No retorno á cidade da Beira,começou-se a sentir um aumento da repressão sobre alguns elementos da guarnição,por parte de alguns Cabos e alguns Sargentos.
Por tudo e quase nada,era vê-los correr para o camarote do Oficial Imediato,desfiando um rol de queixinhas.
Intitulavam-se os Cabos,Almirantes dos Grumetes (Aspiração tinham,mas muito difícil de concretizar)
Se havia alguém a bordo que nada fazia,eram eles.
Por um não cumprimento imediato de uma ordem dos mesmos (mesmo executada depois ) lá vinha o respectivo castigo.
O Sr. Oficial Imediato,chegou-nos a dizer,que embora não visse razão para castigar,teria de o fazer para para não desautorizar os Cabos e os Sargentos.
Então que justiça tínhamos!
Começa então a haver uma feroz competição,para saber-mos quem chegava ao final da comissão com mais castigos.
E quando nada fazíamos,aparecia sempre um Cabo ou Sargento que nos provocava,de forma a cairmos novamente em tentações menos correctas,e lá voltávamos, á porta do camarote do Oficial Imediato.
Por vezes em actos quase idênticos,havia para uns três guardas,para outros uma,era conforme a cara,o posto,e os castigos anteriores.
O Código de Justiça Militar e o Regulamento Disciplina Militar,umas vezes era interpretado da frente para trás,outras de trás para a frente.
E o grupo foi aumentando,já contávamos com o Vítor,o Montijo,o Moleiro,o Carlos,o Garcia,o Pedro,o Paulino,e alguns de quem não me recordo.
Por causa de uma situação dessas,um Sargento esteve próximo de ser baleado,felizmente para o Grumete e para o Sargento,dois Marinheiros e dois Grumetes conseguiram conter a situação.
Lógico que o Sargento nem apresentou queixa.
Só seis elementos sabiam desta situação decorrida a bordo,e só quase quarenta anos passados vêm a publico.

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