quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O Djumba

O Djumba era um miúdo de Porto Amélia.
Na primeira vez que chegamos a Porto Amélia,o Djumba,aproximou-se do navio, com ar de pequeno empresário, prontificou-se a prestar alguns serviços ao elementos da guarnição.
Engraxava os sapatos por $50 (cinquenta centavos / cinco tostões) a que ele chamava se não estou em erro,uma quinhenta,além disso levava e trazia a nossa roupa para a lavadeira,caso precisase-mos de arranjar a roupa também a levava e trazia do alfaiate.
Para além desses serviços pedia a refeição,e as sobras das refeições para levar para a sanzala.
Achamos-lhe graça pela sua pouca idade,e até por andar limpo,o contrário dos outros miúdos.
Durante todo o tempo que o Djumba,nos prestou os seus serviços,e sendo ele que levava o dinheiro dos serviços prestados,nunca ninguém reclamou que os serviços não lhe foram pagos.
O Djumba,sabia com antecedência,todos os movimentos do navio,por esse motivo chamávamos-lhe de turra pequeno.
Tinha o cuidado de só entrar a bordo depois de devidamente autorizado,pelo Oficial ou Sargento de dia.
Na hora de ir-mos para terra,o Djumba,não se fazia rogado e acompanhava-nos,onde quer que entrássemos,o Djumba entrava,e ia ganhando uma coca-colas,uns bolos ou umas sandes,que algumas vezes não comia e levava para a sua casa.
Foi uma companhia permanente,ao longo da comissão todas as vezes que fizemos base em Porto Amélia.
O Djumba,teve sempre para connosco um segredo,nunca nos disse quem era a sua família,ou se a mesma autorizava que ele nos acompanhasse,era um miúdo independente.

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