segunda-feira, 6 de outubro de 2008

AS ESTATUETAS DO "MOULIN ROUGE"

Não há ninguem dos navios que não conhecesse as duas estatuetas de musculados "pretos" que embelezavam (?) a entrada daquele templo nocturno,onde alguns de nós, principalmente os solteiros, (onde eu me incluia) passavam algumas (muitas) horas nocturnas procurando afogar (em cerveja ou outro liquido qualquer que não fosse água) as mágoas da distância de Lisboa e das agruras do mar.
Uma bela noite Africana, ao sair do navio, já tarde, reparei que um grupo de marujos levavam um volume significativamente grande , para terra. Ingénuo achei que seriam umas cervejas para alguma petisqueira em terra com camarads de outras Unidades navais ou não.
E fui à minha ronda , com paragen prolongada num local que não o "Moulin Rouge".
Por razões que não recordo tinha conhecido um dos donos do dito "Moulin", o Sr. Bel Guerra (?).
Altas horas toca o telefone no local onde me encontrava , e o Sr. Guerra perguntava se eu me encontrava ali, e caso afirmativo se podia ir com urgência ao "Moulin".
Pensei.Há bronca com a malta do navio,do tipo dos Gregos, já aqui contada pelo Moleiro.
Apreensivo lá fui disposto a levar a rapaziada para bordo, e depois logo se via.
Quando lá cheguei ,não vi ninguém do navio, e só o Sr. Guerra me esperava, todo indignado, lá foi protestando, com razão :
- O sr. Tenente já viu o que os seus marinheiros fizeram ?
Foi a custo que não me desmanchei a rir.
Afinal o que se tinha passado :
1º Lançaram um dos "pretos" (estatuetas) ao rio Chiveve.
2º Pintaram o outro de Branco.
Afinal o volume que eu tinha visto a sair do navio não eram cervejas, mas tinta branca , para a obra planeada.Não me recordo do nome dos artistas, e não é hora de me recordar.
Enfim,juventude com vontade de viver com alguma malandrice própria de quem tem o sangue na guelra.
Saudades.

1 comentário:

António Moleiro disse...

Não fiz parte desse grupo de assalto,mas foi um gozo,no dia seguinte ver a escultura do preto pintado,com a cor branca,e o outro enfiado na lodo do do rio chiveve. A noticia acabou por sair no jornal da Beira,fizeram-se visitas ao local,foi um acto condenado por muita gente.Mas posso afiançar que esteve muita gente envolvida no trasporte do preto para o chiveve,segundo sei era pesado que se fartava,foi dificil,mas com trabalho de equipa tudo é mais fácil.Bons tempos,e que saudade dessa juventude irrequieta.