segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A CAMARADAGEM E O ENJOO

Havia a bordo um Oficial que enjoava com alguma facilidade,mas principalmente quando o malagueiro se zangava.
Por diversas vezes se mostrou fisicamente incapaz de fazer o seu "quarto" à ponte, quando lhe competia,recorrendo aos camaradas com quem se dava melhor. Eu e outro camarada estavamos nesse lote,e partiamos as quatro horas do enjoado , em duas para mim e as outras duas para o outro camarada.
Um dia fartei-me de fazer 6 horas de quarto (4 minhas e 2 do enjoado), e combinei com a outra vitima dos enjoos do infeliz camarada,cobrar-lhe 1.ooo$oo por cada desenrascanço, ao que o enjoado concordou de imediato.Eu até acho que da maneira que ele estava até pagava mais.
É claro que logo que lhe passava o enjoo, nos chamava todos os nomes que conhecia , por lhe extorquirmos o dinheirinho daquela maneira impiedosa e vil.
Porém ,desde que o mar o tornasse a enjoar ,esquecia-se de tudo e vá de pedir auxilio aos "chantagistas"e pagar o combinado.
A comissão acabou,voltámos a Lisboa ,e o nosso camarada enjoado casou e a custo convidou os "canalhas chantagistas" para o seu casamento.
A páginas tantas, durante a boda,nós anunciámos que tinhamos uma prenda especial para o noivo,com o nome de "o que faz o mar de Moçambique".Grande expectativa por parte do noivo ex-enjoado e de todos os convidados.
O noivo abriu a prenda,e entre risos e lágrimas de amizade, viu "n" notas de 1.000$00 , mas da Metópole, que sem ninguem saber nós transferimos como sendo poupanças nossas.
Este dinheiro mais não era que aquele que nós lhe tinhamos cobrado para fazer os "quartos" por ele.
Que saudades. Peço desculpa por não dizer nomes, mas acho que todos sabem o nome dos envolvidos.
É desta massa que somos feitos.

Sem comentários: