quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Unidade de Desembarque ( 1 )

Fala-se em Unidades de Desembarque a partir de navios, em comissão nas ex províncias ultramarinas,mas pouca gente sabe qual era a sua função real.
Não eram grupos especiais,não usavam boina, ou fardamento diferente do que lhe estava estabelecido pela Armada.
Não tinham a preparação de combate,nem destreza física como os grupos especiais.
A Unidade de Desembarque,era um grupo escolhido aleatoriamente entre os elementos da guarnição e era composta por várias especialidades.
Actuavam sempre sobre as ordens de um oficial de bordo,designado Comandante da Unidade de Desembarque.
Tinham como função a abordagens de navios ou embarcações,executavam desembarques e reembarques de outros militares,quase sempre Fuzileiros.
Podiam actuar caso fosse necessário isolados de outras forças militares, em função da segurança de costa, rios, e se necessário intervir em combate com os movimentos armados que combatiam os portugueses.
Possuíam o mesmo tipo de armamento ligeiro que os outros militares, no caso de desembarcados também comiam ração de combate.
Mas não eram famosos,nem ostentavam os adereços militares de tropas especiais,nem reconhecidos como tal,depois de desembarcar militares e de volta ao navio descíamos os rios com dois elementos em cada bote, a nossa segurança ficara para trás,estávamos por nossa conta e risco.
Mas éramos marinheiros orgulhosos do nosso navio e da nossa farda.
No final da comissão,não houve louvores nem menções de apreço, muito menos latoaria para pendurar ao peito.
As Unidades de Desembarque também foram cruciais para o bom termo de algumas operações, e importantes no conflito armado que opunha movimentos de libertação aos portugueses.
A própria Marinha de Guerra Portuguesa (Armada) esqueceu e tentou apagar , o envolvimento das Unidades de Desembarque durante a guerra colonial,sem com as quais, muitas das operações militares, não teriam na altura o êxito que tiveram.

2 comentários:

s.pinho disse...

É rigorosamente verdade o que foi escrito.Eu que fui Oficial Imediato da FD do nosso navio, assumi alguns riscos em determinadas operações.Recordo duas : No aprisionamento de um arrastão Francês e consequente transporte até à Beira sob a minha responsabilidade e debaixo de grande mau tempo (acompanhavam-me o marº. A Leandro e o grt. Sinaleiro "Farsolas" ??)e outra num desembarque na foz do rio Bandaze onde tivémos contacto visual com o IN, e posteriormente ajudados por parte do DFE 5, cujo Imediato era do meu curso da EN, o então 2º Ten. Villas-Boas.

ze-lisboa disse...

Eu vi, eu estava lá, eu participei nesses desembarques, perteci à força de desembarque da fragata Pacheco Pereira entre 67 e 69 em Moçambique, o comandante dessa força foi o 2º ten Serra, e o imediato era o 2º ten costa Freire, hoje CMG.
Os desembarques eram feitos de noite,(a partir da meia-noite) subindo os rios em três ou quatro zebros consoante o número de fuzileiros iria para a missão.
Por vezes quando os largáva-mos nas margens dos rios, saíam todos encharcados passavam a noite na margem pois as progressões na mata eram demasiadamente perigosas, nós regressávamos a bordo sem qualquer segurança a não ser da ditosa G3 que dois marinheiros levavam, um deles conduzindo (eu, ex-mar S Zé Lisboa) o outro na prôa agachado para evitar o pior ou talvês não se molhar tanto. As chegadas a bordo normalmente eram entre as três ou quatro da manhã.