terça-feira, 25 de novembro de 2008

O NOSSO COMANDANTE

O nosso Comandante,CMG - Soares Parente,era um Homem de poucas falas.
Apenas correspondia ao nosso cumprimento,e foi raro vê-lo conversar com elementos da guarnição.
Como o Comandante dava os seus passeios diários a Bombordo,entre o castelo de proa e a cozinha dos Oficiais,nós tudo fazíamos para nos afastar-mos daquele bordo.
Algumas vezes vimos-lo sorrir ( o que foi raro ) quando brincava com o saguim ( pequeno Macaco )que tínhamos a bordo.
Ficámos sempre com a imagem que o Comandante era um militarista e pouco dado a conviver com a guarnição.
Acabada a comissão todos os elementos que não fizeram carreira na Marinha,encetaram uma nova vida.
5 ou 6 anos depois do final da comissão,dirigia-me ao posto médico da CUF, frente á Rocha de Conde de Óbidos para uma consulta, e dou de caras com o Comandante na zona do Cais do Sodré,junto ao edifício do INT,respeitosamente cumprimentei-o,olhou para mim da mesma forma que fazia a bordo,e pergunta-me tu és o Barreirense,mas qual,respondi-lhe que o mais velho.
Perguntou-me,qual era a minha vida fora da Marinha e onde trabalhava,e ficámos a conversar largos minutos.
Ao despedirmos-nos,fez então algo que sempre o julguei impossível de o fazer,disse-me dá cá um abraço, e desejou-me felicidades para o futuro.
Afastámo-nos então em sentido oposto.
Anos depois soube do seu falecimento pela Revista da Armada.
Eu que me atemorizava sempre que o Comandante se dirigia a nós,anos depois reconheci que o Comandante também tinha sentimentos e saudade da sua antiga e última guarnição.

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