quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Distracção no Serviço (1)

A navegar em patrulha,o Sargento Parra,chefe das anti-aéreas nas asas da ponte,mandou-me juntamente com o Eusébio (Alcunha do Pé de Chumbo,derivado á sua destreza em se movimentar) fazer a rotina da peça de bombordo,da qual o Eusébio era apontador e eu municiador.
De pé sobre a amurada,armado em tarzan,limpava então o cano da peça.
Não sei como,mas deve ter sido por distracção,quando a peça rodou o cano bateu-me na cara, partiu-me dois dentes,e não me atirou ao mar por sorte, mas enviou-me para o serviço de saúde com uma hemorragia.
O nosso médico 1.º Tenente Ramiro Correia,tudo fazia para estancar a hemorragia,estava difícil, então levou o caso ao Oficial Imediato,prevendo uma evacuação.
O Oficial Imediato,levou logo o caso ao conhecimento do Comandante.
A evacuação prevista se não estancasse a hemorragia seria de heli,se a hemorragia parasse poderia então ser evacuado para o Hospital na Beira,no, barco dos Pilotos ou em embarcação da Capitania ,mas para isso a fragata teria que alterar o rumo e dirigir-se para a foz do Rio Pungué, mas o factor tempo também contava,portanto em último caso a fragata interrompia a patrulha e iria á Beira.
Felizmente a evacuação não foi necessária,tratado e medicado com doses medicamentos,a que nós chamávamos dose de cavalo, lá aguentei os restantes dias de patrulha sempre em observação clínica.
Chegados á Beira,logo que atracados,rumo ao Hospital,levava então uma carta dos serviços de saúde de bordo,na qual constava toda a medicação tomada.
Com receio que na carta fosse indicado ficar no Hospital devido á hemorragia sofrida não a entreguei, foram-me então extraídos o que me sobrava de dois dentes,e novamente enviado para bordo, também com uma carta,cujo teor tive conhecimento alguns dias depois.

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