quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

NRP AUGUSTO CASTILHO - PATRULHA OU CAÇA MINAS

Não sou historiador naval,mas gosto de navios, principalmente de navios de guerra,este gosto claro que foi arrastado,por ter navegado num Draga Minas e numa Fragata.
E como gosto de navios tento saber,quando possível a sua história, enquanto estiveram ao serviço da Marinha de Guerra Portuguesa (Armada)
Interessei-me sobre um comentário feito pelo Sr. Luís Filipe Morazzo,num dos postes anteriores sobre o "Caça Minas" NRP AUGUSTO CASTILHO.
Comentava então o Sr. Luís Filipe Morazzo, que o navio em questão não era um Caça Minas, mas sim um Arrastão pesqueiro,transformado em Patrulha, devido a estar armado com artilharia e ter sido requisitado pela Marinha de Guerra Portuguesa ,durante a guerra.
Segui o conselho do Sr. Luís Filipe Morazzo, e tentei saber se o NRP AUGUSTO CASTILHO, poderia ser considerado Caça Minas ou Patrulha.
Pouco soube pelo que pesquisei,mas foi o suficiente,neste momento eu já não tenho dúvidas que se tratava de um Patrulha e não de um Caça Minas, mas não posso alterar a história.
Encontrei, no Bordo Livre,publicação do Clube de Oficiais da Marinha Mercante, o texto sobre o assunto da autoria do Comandante da Marinha Mercante - José Ferreira dos Santos.
http://www.comm-pt.org/bordolivre/jul_ago2002/pag6_43&44.htm
Também na Sociedade História da Independência de Portugal
http://www.ship.pt/noticias/040506_naviosarmada.php
É referido que o antigo Comandante Jaime de Inso, refere no seu livro "Marinha Portuguesa na Grande Guerra " e o Comandante Saturnino Monteiro, no seu blogue/site "Batalhas e Combates da Marinha de Guerra Portuguesa, se referem ao NRP AUGUSTO CASTILHO, como um Patrulha.
Vendo bem as fotos abaixo postadas,claro que o navio não têm parecença com o Caça Minas SANTA MARIA, que conheci na Base Naval de Lisboa no inicio do meu serviço militar em 1967, a foto postada e ampliada,mostra um barco de pesca com pelo menos uma peça de artilharia á proa.
De forma alguma, não quero alterar seja o que for na história,mas porque razão, o Rebocador Lidador,também requisitado pela Marinha de Guerra Portuguesa, armado,para proteger e apoiar a frota pesqueira,comandado por um Oficial de Marinha,não foi alterada a sua denominaçaõ de Rebocador para Patrulha.

4 comentários:

Ricardo Matias disse...

Sr Moleiro:
Esta conversa sobre a nomenclatura dos navios é bastante complicada e tem a ver com as tarefas atribuídas aos navios, mais do que o tipo, porque é classificado.

Concretamente, durante a Primeira Guerra Mundial os arrastões da pesca do alto requisitados como navios de guerra, foram utilizados todos como navios patrulha, excepto, 5 que foram utilizados como caça-minas, recebendo estes últimos, para o efeito de um dispositivo apropriado, este dispositivo era semelhante aos usados na pesca do arrasto, sendo a rede substituída por um cabo de aço mantido à profundidade necessária por meio de uma espécie de portas de arrasto. Para esta operação eram necessários 2 navios que operavam em parelha. Havia a parelha do porto de Lisboa e outra no porto do Porto e de Leixões.
Os restantes navios faziam, patrulhas como era o caso do Augusto Castilho.
Este navio era o arrastão Elite da Parceria Geral de Pescarias e tinha sido adquirido para a pesca do bacalhau na Terra Nova em 1909, no entanto apesar de particip+ar nas campanhas de 1909 e 1910, não provou bem por variados factores; máquina apesar de grande, era fraca para puxar as redes; elevado consumo de carvão, a técnica da pesca com a rede estava na mão do mestre de redes, um francês contratado que não colaborava com o capitão do arrastão, o pessoal não estava preparado para a este tipo de pesca. Pelo que o navio foi retirado do bacalhau, exprimentou pescar no Cabo Branco, com sucesso, mas acabou por ser substituído por navios mais pequenos.
É graças ao seu grande tamanho que este navio foi utilizado como escoltador dos navios mercantes, entre o continente, os Açores e a Madeira. Quis o destino que o U139, um grande cruzador submarino lhe saisse ao caminho. A história é conhecida, mas reparem que apesar da grande diferença de armamento e de tamanho, o patrulha conseguiu resistir durante duas horas porque esquivou-se ao fogo inimigo. Do submarino tiveram dificuldade em regular o tiro com os balanços, o convés escorregadio e o peso dos projecteis de 15 cms, a tarefa foi difícil de acertarem no patrulha.

Acabada esta história, passamos aos draga-minas do tipo Santa Maria.
Durante a Segunda Guerra Mundial a Grã-bretanha, mobilizou quantos navios de pesca pode. Uns foram utilizados com navios patrulha, outros como caça submarinos, outros como draga-minas e como navios auxiliares.
Como não era possível continuar a requisitar navios de pesca, foram lançados em construção várias centenas de arrastões, aproveitando a existência de pequenos estaleiros navais, incapazes de produzir navios mais sofisticados e encorporados como navios de guerra.
Um exemplo, em Portugal foram construídos nos Estaleiros da CUF e no Arsenal do Alfeite um grupo de arrastões em aço e nos estaleiros Mónica em Aveiro um outro grupo, mas de madeira. Estes navios foram entregues ao Almirantado inglês e usados como navios de guerra. Claro que deu origem a protestos por parte da Alemanha, mas estes últimos acabaram compensados.
Alguns destes navios depois da guerra foram comprados por armadores portugueses.

Voltando aos Santa Maria, estes faziam parte dum tipo estudado para em tempo de guerra serem navios de guerra e em tempo de paz como arrastões.
São os Naval trawlers do tipo Isles e derivados, sendo construídas mais de 200 navios.
Após o acordo sobre a cedência de bases nos Açores, foram cedidos Portugal 8 destes navios, 6 para patrulhar os Açores e dois para reforçar a patrulha do porto de Lisboa, 6 eram naval trawlers do tipo Isles ou derivados e 2, navios de pesca requisitados. Os navios foram baptizados de patrulhas P1 a P8.
Quando acabou a guerra o P1 a P4 ficaram na Marinha portuguesa e os restantes foram devolvidos aos ingleses.
Os navios adquiridos por Portugal foram baptisados, S.Miguel, Faial, Terceira e Santa Maria.
Foram inicialmente classificados como patrulhas, depois como draga-minas e finalmente como caça minas.
No entanto eram navios polivalentes com capacidade para rocega de minas, poder ser usados como caça-submarinos e navios de patrulha. O Santa Maria foi usado como Lança-minas.
Para além destes navios Portugal adquiriu mais dois outros do mesmo tipo, o Baldaque da Silva e o Salvador Correia, o primeiro classificado como navio oceanográfico e mais tarde Caça-minas, o segundo classificado como navio-hidrográfico. Ums curiosidade, estes navios no fim da sua vida, trocaram de nomes, nunca soube porquê.

Aconselho-o a adquirir o livro "Dicionário de Navios & relação de efemérides" do Cdte Rodrigues da Costa, á venda na loja do Museu de Marinha.

Bom Ano

Ricardo Matias

António Moleiro disse...

O meu agradecimento ao Eng. Ricardo Matias, pelo esclarecimento prestado,sobre mais este capitulo da história,dos nossos navios da Marinha Guerra Portuguesa

Anónimo disse...

Como fazendo parte da guarnição, do "RNP AUGUSTO CASTILHO" F484, entre Fev de 89 e Março de 90, informo que nem era Draga Minas, nem Patrulha, mas sim uma Corveta da clade Joao Coutinho. Os Patrulhas a numeração era precedida por P, os draga minas por M.
Cumprimentos:

Pedro Galocha

António Moleiro disse...

Amigo Pedro
No texto, não nos referimos á Corveta Augusto Castilho, mas sim ao Arrastão de pesca "Élite" transformado em Caça Minas "Augusto Castilho",que foi afundado por um submarino Alemão.
Saudações Marinheiras