terça-feira, 1 de dezembro de 2009

LDP 105 - ANGOLA

1988 - Antiga LDP 105 - ( Com alteração de cobertura)
Entregue á Repúbica Popular de Angola em 1975.
Apodrecia no Cuito (Kuito) Cuanavale - Sudoeste de Angola .
Foto de: Luis de Vasconcelos - Lusa
Agência de Noticias de Portugal. S.A

4 comentários:

Anónimo disse...

Embora possa parecer estranho a todos os que na Armada, e não só, tivessem conhecimento de que a LDP 105 era a lancha que estava no Rio Cuito (em Vila Nova da Armada) durante os anos da Guerra de Angola, a verdade é que a lancha que se vê nesta fotografia é, ou parece ser, sem grande margem para dúvidas, a LDP 108;

Na lancha da fotografia, o parapeito da plataforma onde está instalada a metralhadora é revestido em ambos os bordos por duas chapas, enquanto que, na LDP 105, era revestido por três chapas, e nele estão fixadas duas ‘caixas’(?) metálicas, que eram inexistentes na LDP 105;

Muito recentemente, no final de 2010 (daí só agora o meu comentário), ao folhear alguns números antigos da Revista da Armada deparei, na página 30 do nº. 29, de Fevereiro de 1974, com uma fotografia da LDP 108 (em 1973, num desfile em Luanda) onde são bem visíveis as duas chapas no parapeito da plataforma e as ‘caixas’ metálicas a ele fixadas;

Como as únicas LDP’s da classe 100 utilizadas em Angola pela Armada foram a LDP 105 e a LDP 108, poder-se-á concluir, perante as diferenças nos detalhes apontados, que será a LDP 108 e não a LDP 105 que, em 1988, “apodrecia no Cuito Cuanavale”;

Mais alguns dados: A LDP 108 foi abatida ao efectivo de navios da Armada e entregue aos Serviços de Marinha de Angola em 30 de Setembro de 1975;

Entretanto, com o recrudescimento da guerra civil, a Marinha de Guerra de Angola criou uma unidade naval no Cuito Cuanavale e, em 1980 (ou 1981), fez transportar de Luanda para o Cuito Cuanavale, via Namibe (Moçâmedes), duas das LDP’s que recebera da Armada, as únicas que terão integrado essa unidade (cf. artigo na Revista da Marinha de Angola, nº. 15);

Serão então estas, mais precisamente a LDP 108 e uma outra da classe 200, as duas lanchas cujos restos se encontram actualmente na margem esquerda do rio Cuito, junto à ponte, em Cuito Cuanavale (conforme é facilmente visível no ‘Google Earth’), possivelmente depois de serem atingidas e ficarem inoperacionais durante os confrontos militares da Batalha de Cuito Cuanavale, em particular o bombardeamento da ponte, no início de 1988;

Por curiosidade, no endereço http://www.lightstalkers.org/images/show/916363 pode ver-se uma fotografia de 2010, em cuja legenda as LDP’s são referidas como ‘barcaças soviéticas abandonadas’ e na qual se distinguem nitidamente os cascos de ambas lanchas (a LDP 108 é a lancha da direita);

Quanto à LDP 105, foi abatida ao efectivo em 12 de Dezembro de 1974 e entregue, nessa data, em Vila Nova da Armada, juntamente com as lanchas LT ‘Cuito’ e LT ‘Chicove’ (que estavam também atribuídas ao Destacamento de Marinha do Cuito, embora não fizessem parte do efectivo de navios da Armada), ao representante do Governo (Civil) da Província do Cuando Cubango;

Nos anos que se seguiram a 1974, o mais provável é que a LDP 105, assim como as duas outras lanchas estacionadas em Vila Nova da Armada, se tenham perdido nas vicissitudes da guerra civil angolana e os seus restos se encontrem agora, algures, esquecidos nas margens do rio Cuito.

José A. Marinho, ex-Oficial FZE RN (23º. CFORN)

Anónimo disse...

Por lapso, no meu comentário de 12 de Janeiro referi que uma das lanchas entregues ao Governo da Província do Cuando Cubango, em Vila Nova da Armada, era a LT ‘Chicove’, quando, para ser correcto, deveria ter referido a LT ‘Longa’.

De facto, como a LT ‘Longa’ tinha estado anteriormente em serviço no rio Cuando com o nome de ‘Expresso do Chicove’, não me lembrei logo, tantos anos depois e escrevendo de memória, que a lancha tinha sido rebaptizada com o nome de ‘Longa’ quando, em 1970, foi transferida para Vila Nova da Armada.

José A. Marinho, ex-Oficial FZE RN (23º. CFORN)

Anónimo disse...

Na sequência do meu comentário de 12 de Janeiro, interroguei-me sobre o que poderia ter acontecido às lanchas atribuídas ao Destacamento de Marinha do Cuito, em Vila Nova da Armada, e decidi-me a fazer uma profunda pesquisa na ‘Internet’ sobre o assunto;

Em Agosto de 1974, quando rendi a CF3 com um pelotão da CF8, a LDP 105 e a LT ‘Longa’ encontravam-se operacionais, atracadas ao cais, enquanto que a LT ‘Cuito’ se encontrava inoperacional há alguns meses, estacionada no plano inclinado, e assim se mantiveram até 12 de Dezembro de 1974, data de extinção da Unidade e entrega das suas instalações, assim como das lanchas, ao Governo da Província do Cuando Cubango;

Durante o envolvimento das tropas da África do Sul em Angola, o Batalhão 32 ‘Buffalo’, no início de 1976, instalou parte das suas forças em Vila Nova da Armada, onde encontrou a LDP 105 e a LT ‘Longa’ e, depois de as recuperar com alguma facilidade, passou a utilizá-las no apoio logístico a Vila Nova da Armada;

No respeitante à LT ‘Cuito’, mantinha-se no plano inclinado há mais de um ano e meio e, como já não tinha motor, os Sul Africanos desistiram da possibilidade de a recuperar e vir a utilizar;

Perto do final de 1976, no decurso de mais uma operação, a LDP 105 afundou-se nos rápidos de M’Pupa, no rio Cuito, 180 Km a Sul de Vila Nova da Armada (o que confirma que a lancha da fotografia de Luís Vasconcelos não é a LDP 105, mas sim a LDP 108);

A LT ‘Longa’, que os Sul-Africanos rebaptizaram de ‘Charlie Spiller’, foi usada no rio Cuito pelo Batalhão 32, entre Vila Nova da Armada e M’Pupa, até ao final de 1976, altura em que as tropas Sul Africanas foram forçadas a abandonar a região;

Contudo, levaram a LT ‘Longa’ (ou ‘Charlie Spiller’) para a sua base principal, situada na margem esquerda do Okavango River, na faixa de Caprivi, na Namíbia, numa viagem fluvial em que tiveram de transpor por via terrestre os rápidos de M’Pupa, no rio Cuito, e as Popa Falls, no Okavango River, e aí continuaram a utilizar a lancha até à sua retirada definitiva para a África do Sul, em 1989, após os acordos para a independência da Namíbia;

Actualmente, depois de ter sofrido inúmeras modificações, inclusivamente, “perdeu” a rampa de desembarque, a (ex-) LT ‘Longa’ tornou-se propriedade de um hotel, o ‘Divava Okavango Lodge & Spa’, aberto em 2007, que substituiu o ‘Suclabo Okavango Lodge’, anterior proprietário, no mesmo local, situado na faixa de Caprivi, a jusante das Popa Falls, onde é usada em passeios fluviais para turistas;

Fica por explicar o que terá sucedido à LT ‘Cuito’, pois, como é muito facilmente visível no ‘Google Earth’, esta lancha já não se encontra no plano inclinado, na margem do rio Cuito;

(Dada a sua extensão, este comentário continua no comentário seguinte)

José A. Marinho, ex-Oficial FZE RN (23º. CFORN)

Anónimo disse...

(Continuação do comentário anterior)

Algumas referências:

No ‘Google Books’ é possível consultar excertos de dois dos livros (“They live by the sword”, de 1990, e “The Buffalo Soldiers: the story of South Africa's 32-Battalion, 1975-1993”, de 2003) do Coronel Jan Breytenbach, fundador e ex-comandante do Batalhão 32, nos quais descreve as lanchas, conta como decidiu utilizar a LDP 105 e a LT ‘Longa’ e refere a impossibilidade de recuperar a LT ‘Cuito’;

Por exemplo, nos ‘links’
Vila Nova da Armada e LDP105 e LT ‘Longa’ e LT ‘Cuito’,
podem ver-se alguns excertos do segundo daqueles livros, nos quais o autor se refere a Vila Nova da Armada e às lanchas que aí se encontravam;

Entre a muito pouca informação disponível na ‘Internet’ sobre o afundamento da LDP 105 (a “outra” lancha, que não a ‘Charlie Spiller’), veja-se, por exemplo, o endereço
http://www.32battalion.org/forum/showthread.php?t=625,
no qual este incidente é referido;

Em algumas páginas da ‘Internet’ que referem o ‘Suclabo Okavango Lodge’ (mais antigas), por exemplo, nos ‘sites’
www.wildweb.co.za e www.jedek-reisen.at,
ou o ‘Divava Okavango Lodge & Spa’, por exemplo, no ‘site’
www.xoprivate.com,
podem encontrar-se fotografias da (ex-) LT ‘Longa’ transformada em embarcação para transporte de turistas;

No seguinte endereço do ‘Youtube’
www.youtube.com/user/LeadingLodges,
é possível visualizar um vídeo recente do ‘Divava Okavango Lodge & Spa’, no qual, aos 76 s, aparece a (ex-) LT ‘Longa’ a navegar no Okavango River, já depois das últimas alterações que sofreu;

Apenas por curiosidade, no ‘slide show’ da página principal do ‘site’
http://www.okacom.org/,
da Comissão Permanente das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Okavango, pode ver-se uma interessante fotografia (a segunda) em que são visíveis os restos da LDP 108, em primeiro plano, no Cuito Cuanavale.

José A. Marinho, ex-Oficial FZE RN (23º. CFORN)